Piranhas se consagra como destino turístico em Alagoas

Jan 20

Piranhas se consagra como destino turístico em Alagoas


Cidade também se constitui em alternativa de estadia para aqueles que desejam fazer passeios pelos Cânions do Xingó

O destino mais comum dos turistas que resolvem passar as férias no Nordeste brasileiro é, sem dúvida, o litoral e suas paisagens. O Sertão, tão bem-descrito pela literatura, é esquecido. Mas há cerca de 20 anos, essa realidade vem sendo, aos poucos, modificada. Às margens do rio São Francisco, em pleno Sertão alagoano, está uma pequena e simpática cidade chamada Piranhas. Conhecida nacionalmente por ser o município onde foram expostas em praça pública as cabeças de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na década de 1930. Piranhas foi reconhecida como patrimônio histórico nacional em 2003.

A cidade, com casarios no estilo barroco dos séculos XIX e XX, já foi cenário das cenas iniciais do filme Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, no final dos anos 1970, responsável inclusive por levar energia elétrica para a localidade. Atualmente, Piranhas é a terceira cidade mais visitada de Alagoas, atrás de Maceió e Maragogi.

Pertencente à cidade também está o vilarejo de Entremontes. O povoado ficou conhecido pelo grande número de mulheres que detêm a arte do bordado redendê e do ponto-cruz, habilidade herdada de suas mães e avós. Para facilitar os deslocamentos a pontos turísticos de Piranhas, a dica é se hospedar no Centro Histórico, onde estão pousadas como Asa Branca, Maria Bonita, O Imperador e D'Lia, com preços das diárias em torno de R$ 150,00 para um casal. Também há a opção do Albergue da Juventude, com valores mais em conta.

O ingresso de Piranhas na rota do turismo se deve ao fato de a cidade ser uma alternativa de estadia para aqueles que desejam fazer o famoso passeio dos Cânions do Xingó, já que as embarcações saem de Canindé de São Francisco, a cerca de 10 minutos de Piranhas de carro ou moto-táxi (serviço este muito utilizado pelos moradores). A outra possibilidade para desfrutar do passeio é fazer um bate volta por Aracajú (Sergipe), mas que envolve enfrentar 210 km de estrada.

Surgido em 1995, após o represamento das águas do Rio São Francisco para a construção da Usina hidrelétrica do Xingó (inaugurada em 1994), o Cânion do Xingó está localizado na divisa entre Alagoas e Sergipe. Com seus paredões rochosos, com mais de 60 milhões de anos, banhados por águas cristalinas, o atrativo multiplicou em 600 vezes o número de turistas circulando na região. Em 1995, o volume de pessoas que visitava o local girava em torno de 500 por ano. Em 2012, este contingente chegou a 300 mil, contabilizando aquelas que realizaram o passeio, segundo dados da Prefeitura Municipal de Piranhas.

Para percorrer o Velho Chico, os visitantes embarcam em um catamarã, lancha ou escuna, por R$ 84,00 por pessoa, que fazem o trajeto (de cerca de 3 horas ida e volta) até chegar à Gruta do Talhado. Ali, a embarcação realiza uma parada de cerca de 1 hora para banho e mergulho em uma área reservada e protegida por redes, devido à profundidade do rio - que, em determinados locais, pode chegar a 170 m.

Para chegar ao final da gruta, na parte mais estreita, é necessário que a navegação seja feita em canoas (paga-se em torno de R$ 10,00, e o passeio dura 10 min). Dessa forma, é possível se aproximar das rochas e visualizar de perto os paredões. Durante o trajeto, estão espalhadas as imagens de São Francisco - santo que dá nome ao rio. Na cidade de Canindé, também é possível fazer uma visita ao Museu de Arqueologia de Xingó. Diversas peças fundamentais do passado da região foram encontradas por arqueólogos a partir da construção da Usina, algumas com aproximadamente oito mil anos.

Aproveitando o turismo da região, Piranhas passou a oferecer, um ano depois da criação dos Cânions do Xingó, a Rota do Cangaço, onde o visitante é convidado a percorrer a trilha na qual os soldados partiram da cidade do Sertão alagoano para a Gruta do Angico, em Poço Redondo, no Sergipe, divisa com a cidade. Neste local, eles surpreenderam Lampião e seu banco e os mataram em 1938. Todas estas histórias podem ser contadas aos visitantes com a ajuda de um guia local.

Há cerca de dois anos, surgiu uma nova rota também em meio à caatinga. Trata-se do Eco Parque, empreendimento que abriga a trilha que refaz o caminho contrário: o que Lampião e seu bando fizeram até chegar à Gruta do Angico. No trajeto, que dura em torno de 1h30min (ida e volta), o guia Cicero Rogerio Oliveira, caracterizado da indumentária que o bando do cangaço utilizava (desenhada por Lampião e costurada pelo bando), conta o que foi o Movimento do Cangaço, apresenta a paisagem semi-árida e relata as histórias pitorescas do local e de seu bando.

Uma curiosidade é que, até hoje, a filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita Ferreira Messias, atualmente com 82 anos, percorre a trilha todos os anos no dia em que seus pais foram mortos (28 de julho), mandando rezar uma missa na Gruta do Angico. Para ir de Piranhas até o Eco Parque, o visitante pode pegar o catamarã ou negociar o passeio com algum dos barqueiros que ficam à beira do rio. Os valores para o deslocamento pelas águas giram em torno de R$ 60,00 por pessoa. No entanto, o catamarã, pela baixa do rio nos últimos anos, não faz a visita a Entremontes, povoado das bordadeiras, enquanto as lanchas menores levam até o Eco Parque e ao vilarejo.
Senhor do sertão

Personagem polêmico da história brasileira, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, rei do cangaço e senhor do Sertão, é considerado bandido por alguns e herói por outros. Ele foi o principal representante de um movimento social ocorrido no Sertão nordestino durante o fim do século XIX e início do século XX, denominado cangaço.

Os cangaceiros, como eram conhecidos, lutavam contra a política do coronelismo, que levava a maior parte da população a uma situação de miséria e descaso do poder público. Para se manterem, eles saqueavam fazendas e cidades e também contavam com a proteção e apoio de alguns fazendeiros, chamados de coiteiros.

Michele Rolim, de Piranhas, AL

Comentários

Quer conhecer a região de Xingó e se hospedar no melhor hotel?