Os cânions do Xingó são ótimas atrações turísticas para se refrescar no calor do Nordeste

Set 20

Os cânions do Xingó são ótimas atrações turísticas para se refrescar no calor do Nordeste


Fronteira natural entre Alagoas e Sergipe, o rio São Francisco guarda diversos segredos que muitos brasileiros ainda não desvendaram.

Fronteira natural entre Alagoas e Sergipe, o rio São Francisco guarda segredos que a maior parte dos brasileiros ainda não teve a oportunidade de desvendar. Um desses recantos do Velho Chico é de rara beleza. Ao longo de milhões de anos, a natureza esculpiu paredões de granito, formando cânions que podem chegar a até 120 metros de altura. Toda essa região foi inundada no final dos anos 80 para que se construísse a Usina Hidrelétrica de Xingó, localizada entre Alagoas e Sergipe, a 6 quilômetros da sergipana Canindé de São Francisco e a 12 quilômetros da alagoana Piranhas.

Com a inundação e formação do grande lago, que serve de reservatório para a usina, os cânions do Xingó tornaram-se um atrativo turístico para essa região. Semanalmente, dezenas de excursões aportam por lá, vindas de Maceió (a 315 quilômetros de lá) e de Aracaju (a 217 quilômetros). Para os turistas, a distância não é empecilho: vale a pena conhecer esta que é uma das regiões mais selvagens e mais sedutoras do Nordeste brasileiro.

Em pleno sertão, onde as temperaturas constantemente superam os 40 graus e a vegetação é a típica caatinga que abrigou o cangaceiro Lampião e seu bando na primeira metade do século XX, um oásis de águas verdes o aguarda para um refrescante mergulho.

Depois de se refrescar nas águas do Velho Chico, o retorno à margem sergipana. De lá, o destino natural é a histórica cidade de Piranhas, que é charmosamente dividida entre Piranhas de Cima e Piranhas de Baixo, com um centro histórico que ainda mantém boa parte de seu casario bem preservado.


Mergulhando nas águas refrescantes do Velho Chico

As águas claras, limpas e em tons esverdeados entram em cada reentrância do curso do grande rio, avançando pelas curvas dos paredões de granito que se erguem bem acima da embarcação que nos conduz pelo rio São Francisco. O Velho Chico nos recebe de braços abertos, calmo, tranquilo.

Estamos navegando entre Alagoas, na margem direita, e Sergipe, na esquerda. Partimos em um catamarã do pequeno ancoradouro montado no restaurante flutuante Karranka’s, no lado sergipano, e seguimos rumo à famosa Gruta do Talhado, um braço de rio que pertence a Olho d’Água do Casado, no lado alagoano.

Durante boa parte do trajeto, havia momentos em que nos esquecíamos de que estávamos em um rio, pois há trechos em que o São Francisco fica tão largo que parece que estamos em um lago ou mesmo no mar.

O primeiro atrativo turístico é a Pedra do Gavião. À medida que nos aproximamos dela, seu topo parece se transformar em uma cabeça de gavião, com bico e tudo. E fica bem lá no alto.

Alguns números: a profundidade, ali, pode ultrapassar os 120 metros. Isso, porque estamos em um grande cânion, o Xingó, que foi invadido pelas águas quando da formação do grande reservatório da Usina Hidrelétrica de Xingó, a segunda maior do Brasil e uma das sete maiores do mundo.

O lago tem 65 quilômetros de extensão, indo de Xingó até Paulo Afonso, na Bahia. No lago existe uma ilhota onde se concentram cerca de 8 mil aves aquáticas. No trajeto, observamos galhos subindo acima do espelho d’água, enquanto o restante das árvores permanece submerso pela inundação.

Ainda às margens do rio, encontramos uma relíquia: uma das raras canoas de tolda ainda remanescentes dos áureos tempos da navegação fluvial.

O catamarã que nos leva segue placidamente pelo São Francisco. A trilha sonora é composta por forró tradicional e xaxado, com muito Luiz Gonzaga, contrapondo-se à febre do “forro universitário” que vemos em outras regiões.

 Mergulho refrescante

O barco faz, então, uma curva à direita, deixando o curso principal do rio e pegando um braço dele. Chegamos, enfim, à Gruta do Talhado, assim chamada por parecer ter sido esculpida por garimpeiros em busca de ouro.

Ali encontramos uma plataforma flutuante, pertencente à MF Turismo, que recebe até dois catamarãs por vez, cheios de turistas. Os turistas podem nadar à vontade nas águas verdes e limpas do rio.

Mas como a profundidade ali pode chegar aos 25 metros, melhor usar o “macarrão” para não afundar.
Para os menos atirados, há um “cercadinho” bem rasinho, mais seguro.

O turista também pode fazer interessantes passeios de canoa e de caiaque pelo interior dos cânions.

O fim de Lampião e seu bando

Em julho de 1938, um dos coiteiros (responsáveis por arranjar os esconderijos e avisar os grupos sobre a presença da polícia) foi torturado pela polícia da cidade de Piranhas, e acabou por entregar o esconderijo do bando de Lampião em Angicos, no Sertão de Sergipe, a poucos quilômetros dali.

Uma emboscada com 49 homens foi armada durante a madrugada e o ataque durou apenas 15 minutos.

Os cangaceiros não tiveram chance de defesa porque, além de terem sido surpreendidos, os soldados tinham armas melhores. Na época, o bando de Lampião era composto por 70 pessoas. No dia em que foram encontrados, 36 estavam em Angico. Onze morreram – incluindo Lampião e Maria Bonita – e foram decapitados.

Para desestimular a prática do Cangaço, suas cabeças foram expostas em locais públicos, como na escadaria da igreja de Piranhas, e seguiram para outros locais de Alagoas e Sergipe, indo parar até no Sudeste.

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