Passeio: Passeio do Cânion do Xingó: o tesouro escondido do Nordeste

Out 24

Passeio do Cânion do Xingó: o tesouro escondido do Nordeste


Passeios em Xingó

O Cânion do Xingó, entre os estados de Sergipe e Alagoas, mostra que o nordeste brasileiro possui atrações que vão muito além de suas praias maravilhosas e rica culinária. o Cânion, no Rio São Francisco, é um verdadeiro tesouro escondido, onde é possível fazer um passeio de catamarã por suas águas verdes e por entre seus paredões de pedras alaranjadas.

O Rio São Francisco

Como dito no nosso texto sobre o delta do São Francisco (que também vale ser lido a quem esteja pensando em se deslocar até essa região), o rio em si foi descoberto por Américo Vespúcio em 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis e assim foi chamado em homenagem ao santo.
O Velho Chico é imenso, nascendo em Minas Gerais, passando pela Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, antes de desembocar no Oceano Atlântico. E é na divisa entre estes dois últimos estados que se encontra o Cânion do Xingó.

O Cânion do Xingó

Quem diria que a atração tema desse texto só veio a existir em 1994, depois que a Usina Hidrelétrica do Xingó foi construída. Antes disso, a área, hoje atração turística, era somente uma fenda entre dois picos de montanhas próximas.
O rio Xingó é um dos inúmeros braços do Velho Chico, já na parte alagoana. Com a construção da barragem do Xingó, o Rio São Francisco triplicou seu tamanho, retendo seu volume e inundando as áreas ao redor. Um desses locais é hoje o chamado Cânion do Xingó.
Existem inúmeras formas de visitar o Cânion do Xingó e aqui contamos as mais populares:

A partir de Aracaju
Com agência
De carro
Dormindo em Canindé de São Francisco/SE
A partir de Maceió
Com agência
De carro
Dormindo em Piranhas/AL
Como chegar ao Cânion do Xingó

O Cânion do Xingó fica na margem alagoana do rio, mas independente de onde o turista venha – de Sergipe ou Alagoas – o percurso é basicamente o mesmo, e o ponto final é um passeio por entre os paredões do Xingó e um mergulho em suas águas verdes.
Saindo de Aracaju, o trajeto de ônibus dura 3 horas para ir e 3 horas para voltar. O percurso é longo e cansativo. Afinal, juntando ida e volta dá um total de 6 horas na estrada, fora o passeio de catamarã, a parada no cânion para nadar e andar de canoa, e o almoço.
Já saindo de Maceió o trajeto é ainda mais extenso, levando 4 horas só para chegar à cidade base de Piranhas. Imagina ficar 8 horas dentro de um ônibus! É mais tempo de estrada do que de passeio em si.
Independente disso, para sair de catamarã em direção ao Cânion do Xingó é preciso estar ou na cidade de Canindé de São Francisco, no Sergipe, ou na cidade de Piranhas, em Alagoas. Passar uma noite nestas cidades base como descanso na viagem é opcional, portanto, mas recomendado.

Como é o passeio ao Cânion do Xingó

O trajeto de catamarã, independente da cidade-base, demora uma hora até o cânion em si e geralmente não está incluído no valor do translado do ônibus vendido em agências nas capitais.
Caso prefira dormir em Canindé ou Piranhas, também é possível agendar os passeios lá mesmo nas cidades, só faça com certa antecedência, em vista que os passeios costumam sair cheios.
O passeio de catamarã em si é só a navegação por entre os paredões de rochas do rio São Francisco. Esse trajeto dura uma hora até a grande piscina natural, onde todos podem descer do barco e nadar. Além disso, o ponto alto da viagem é poder alugar uma vaga em um barquinho por 10 reais e navegar na parte mais estreita do cânion, chamada de “paraíso talhado” onde acredito que seja o trecho mais bonito de todo o passeio. Esse trajeto a parte dura 15 minutos.
Depois de uma hora parado nessa região, entre nadar e visitar a parte mais estreita do cânion, é hora de voltar a Canindé ou Piranhas. Lá é servido o almoço e após isso todos voltam aos seus hotéis, ou às capitais.

A nossa ida ao Cânion do Xingó

No nosso caso, saímos de Aracaju, capital de Sergipe, numa viagem de ônibus que durou 3 horas até Canindé de São Francisco, a cidade base do lado sergipano para visitar o Cânion do Xingó.
Passamos pelo sertão nordestino no caminho até a cidadezinha e foi bastante interessante ver a vida local acontecer, com burrinhos se protegendo do sol embaixo de juazeiros, vendinhas de mercadorias e famílias sentadas nos beirais das casas vendo a vida passar. Na ida passamos por uma cidade chamada Poço Redondo, importante por ter sido onde o cangaço terminou, com a morte de Lampião e seu bando.

O passeio de catamarã

Chegando em Canindé, compramos os bilhetes para o percurso no rio (que não está incluído no valor do ônibus), embarcamos no catamarã e começamos a navegar pelas águas azuis do Velho Chico. Fomos trilhando por entre paredões de pedra, um cenário bem diferente do visto no delta do rio. O cânion aqui é mais largo, com algumas “atrações” compostas por esculturas naturais feitas de pedras e batizadas com nomes que remetem às formas destas, como Pedra da Águia, Pedra do Japonês, entre outras. Uma gruta com a estátua de São Francisco também é bem popular na região, onde no dia do santo uma missa é rezada com os fieis a bordos de vários barcos ao redor (até porque na gruta só cabe um, o padre).
O vento ali corre solto e é bem fresco. Por isso, não se esqueça de levar o filtro solar, pois o clima pode iludir de que o sol não esteja queimando, mas acredite, ele está.
No catamarã são vendidos lanches como churrasquinho, salgadinhos, sorvetes e bebida. São bons para adiar a fome, já que só será possível almoçar lá pras 15h. Música típica rola durante o trajeto e fotógrafos também estão à disposição de quem queira ter sua viagem registrada por um profissional.

O paraíso talhado

Depois de bastante tempo correndo com o barco por uma paisagem bastante uniforme, chegamos ao ponto final, que é a parte do cânion que todos conhecem como “paraíso talhado”, bem estreito e misterioso. Uma pena é que para poder ver esta parte mais bonita e marcante é preciso pagar mais 10 reais aos barqueiros que ficam lá de prontidão, o que não foi avisado a nós anteriormente. Ou seja, leve 10 reais em dinheiro ou você não verá a parte mais incrível do passeio.
Entramos no bote e o barqueiro rema até os paredões estreitos do cânion, eles tão altos que muitas vezes não é possível ver seu fim. O caminho é bem curto, leva uns 15 minutos, mas bem estreito. Precisamos abaixar em algumas ocasiões para poder passar por entre as rochas laranjas. No caminho, várias estátuas de São Francisco, o padroeiro do rio protegendo o lugar. Mas o que mais impacta no lugar é o reflexo do sol nas águas incrivelmente verdes do rio, formando lindos desenhos nas paredes. Um lugar onde a paz reina.
Na volta ficamos no mesmo píer de onde embarcamos e lá podemos nadar numa enorme piscina natural no Velho Chico. Tem a piscina para crianças, bem rasinha, e a para os adultos, enorme e extremamente funda. Até eu que sei nadar fiquei com medo e entrei com um macarrão.
Aproveite o momento para se refrescar nas águas do rio antes de voltar ao barco. A parada ali dura uma hora, então usufrua bem do seu tempo. Caso entre cedo no barquinho por dentro do cânion, nade depois, mas se for um dos últimos, saiba que não terá tanto tempo assim para nadar. Fomos no primeiro barco e tivemos bastante tempo na piscina.
Depois de uma hora voltamos ao catamarã rumo a Canindé novamente. Após o almoço, já no cair da tarde, subimos novamente no ônibus de volta à capital.

-Chegando ao Cânion do Xingó saindo de Aracaju

Com agência

Usamos Aracaju de base e a nossa visita foi realizada a convite da rede Ibis de hotéis em parceria com a ABBV. A agência responsável pelas excursões saindo de Aracaju que fizemos, tanto para o cânion quanto para o delta, foi a NozesTur, uma das maiores agências da cidade. No preço do passeio só está incluído o translado de Aracaju a Canindé de São Francisco e o guia que conta a história da localidade durante o trajeto. Todo o resto é pago por fora, como o passeio de catamarã, o barquinho para a parte mais estreita do cânion, os lanches e o almoço.
Chegando ao restaurante Karranca’s, em Canindé, é pago o passeio de catamarã e o almoço. Lá também tem uma loja que vende bonés, camisas e bolsas da região.
O translado de ônibus de Aracaju a Canindé de São Francisco dura 3 horas, levando um total de 6 horas ida e volta. O ônibus passa nos hotéis às 7:30h para buscar os passageiros e retorna aproximadamente às 19h.
Fique atento: o buffet servido em Canindé é bem farto, mas muito caro. O preço é lá em cima por não existir concorrência e por saber que todos estarão morrendo de fome quando voltarem do passeio. Além disso, não estão incluídos no valor do buffet as bebidas nem as sobremesas. Caso voltássemos, com certeza levaríamos nosso próprio almoço/lanche, não pelo sabor, mas pela a nítida exploração do restaurante em cima dos turistas, que não têm pra onde correr.

De carro

Muitos turistas preferem ir até o Cânion do São Francisco por conta própria, fazendo um bate e volta no mesmo esquema do ônibus das agências, mas dirigindo um carro alugado ou próprio. Esse turista com certeza terá mais liberdade, mas deve pesar o cansaço de dirigir por quase 6 horas antes e depois do passeio de catamarã, que é longo também.
Quem decidir ir sozinho até Canindé precisará pagar o passeio de catamarã por fora, mas nada diferente do que vai em ônibus fretado. O catamarã sai em dois horários, 10:30 e 11:30, então coordene a sua saída de Aracaju. Aconselho reservar seu passeio com antecedência, pois ele costuma lotar.
Para quem não vai com veiculo próprio, é recomendado que o aluguel do carro de Aracaju até Canindé seja feito com antecedência, antes da viagem. O percurso dura 3 horas a ida (200 km) pela BR 235 e SE 175.
Para facilitar sua viagem: Faça uma busca por seu veículo na RentCars.com e alugue com a garantia do melhor preço na locação.
Dormindo em Canindé de São Francisco/SE
A melhor opção na parte sergipana, sem sombras de dúvidas é passar a noite em Canindé de São Francisco. A cidade tornou-se atração depois de ter sido escolhida como cenário para a novela da Globo Velho Chico.
Em 2016 ainda foi marcada pela morte acidental no rio de um dos atores da novela, Domingos Montagner. Hoje, parte do turismo ainda é marcado pela tragédia, já que em atitude, no mínimo, duvidosa, os tours fazem questão de mostrar exatamente onde aconteceu como se fosse ponto turístico.
Esquecendo essa parte pesada da história da cidade, o vilarejo que é bem pequeno e charmoso, surgiu justamente durante a construção da barragem do Xingó e hoje conta com vários hotéis e pousadas, alguns com lindas vistas para o rio.

-Chegando ao Cânion do Xingó saindo de Maceió

De agência

Os passeios partindo de Maceió são bem semelhantes aos de Aracaju, tirando o tempo na estrada, que é bem maior. São 4 horas só ida para a cidade de Piranhas, que é base para o cânion no lado alagoano.

De carro

Alugue o carro com certa antecedência e pegue a estrada AL 220 em direção ao interior do estado. É preciso pagar o passeio de catamarã na cidade de Piranhas, caso não tenha reservado antes, o que não aconselho.
Com a distância ainda maior da capital e uma cidade muito interessante de se conhecer, mesmo a quem viaja de carro, recomenda-se que fique ao menos uma noite na cidade de Piranhas para explorar a região.
Para sua road trip: Alugue um veículo com a RentCars.com e pague parcelado em até 12 vezes.
Dormindo em Piranhas/AL
De todas as opções, esta é a melhor. Gostaria de voltar e poder ficar alguns dias em Piranhas devido ao valor histórico da cidade. Com prédios tombados pelo IPHAN datados do século XVIII e XIX, Piranhas é um patrimônio nacional. D. Pedro II foi uma das celebridades a ficarem hospedadas na cidade ao conhecer a região.
A cidade é altamente marcada pela presença do cangaço, onde o grupo de Lampião duelou com um dos moradores da cidade, seu Chiquinho Rodrigues, o único morador que não abandonou a cidade diante da invasão dos cangaceiros. Ele sozinho conseguiu espantar o bando de Lampião e foi presenteado pelo Exército por sua bravura.
Foi de Piranhas que saiu o pelotão que deu fim ao cangaço, matando Lampião e seu bando e expondo as cabeças decapitadas do grupo na cidade.
Piranhas conta com vários museus superinteressantes sobre a região e a história da cidade, além de inúmeros pontos de onde é possível ver o Velho Chico do alto.
Vale a pena alugar um carro e ir dirigindo calmamente até a cidade, reservar alguma das várias pousadas charmosas na região e aproveitar o que o sertão tem de melhor.

Fonte: Vida Cigana

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